Marca SóBahêa

Marca SóBahêa

domingo, 7 de março de 2021

Hora de recomeçar

Enfim a temporada 2020 ficou para trás, haja sofrimento e agonia. É uma temporada para ser esquecida pelos torcedores, mas não pelos dirigentes do clube, a estes cabe estudar minuciosamente as decisões tomadas para que os erros cometidos, e não foram poucos, não se repitam. 

Quem costuma acompanhar os textos postados aqui na página, sabe bem meu modo de pensar o Bahia, estou longe de ser um caçador de culpados, mas procuro sempre que percebo mostrar os erros cometidos e apontar caminhos. Nesta linha, não tenho a menor dúvida que o maior erro cometido pelo Bahia foi a manutenção de Roger, não por ele, que sempre se mostrou um profissional digno, mas por tudo que advém desta decisão, como a definição do esquema tático e a montagem do elenco.


Sobre o esquema tático, tem muito tempo que o esquema 4-2-3-1 já não cabia no Bahia, isto passava pela má fase dos nossos pontas, mas também pelos nossos volantes, desde a saída de Flávio que ninguém conseguiu desempenhar com desenvoltura o papel de segundo volante que é fundamental neste esquema. No mais, este esquema acabava sobrecarregando nossos 2 volantes o que deixava nossa defesa exposta, o que explica em parte o desastre que fomos na A. Os últimos jogos, quando voltamos a utilizar 3 volantes, mostram claramente que é possível sim criar ofensivamente sem ficar exposto lá atrás. Até porque os homens da frente com menos preocupação na marcação, acabam rendendo mais.


Sobre a montagem do elenco, eu seria um grande FDP se escrevesse aqui que foi tudo errado, longe de mim fazer isto. Mas, analisando pelos resultados em campo, fica evidente que foram cometidas falhas de avaliação em especial na defesa e nos atacantes de lado. Procurando entender o lado da Diretoria, penso que o Bahia apostou que as revelações do sub-23 supririam as necessidades do elenco principal, o que ocorreu em parte, mas demoramos a agir quando se constatou que em algumas posições como goleiro – só aproveitamos o Claus – laterais – só aproveitamos Matheus Bahia – e zaga – não aproveitamos ninguém –estas carências não foram supridas, talvez a crise financeira agravada pela perda de receita pode ter sido o motivo. 


Sobre os atacantes de lado, apostamos em dois caras com bons retrospectos de assistências, mas esquecemos de um atacante de lado com capacidade para fazer gols, o que fez muita falta em vários momentos. Durante todo o ano, critiquei pesadamente Rossi e poupei Clayson, errei de forma estúpida, enquanto o primeiro se recuperou e hoje é um cara importante no elenco, o segundo dispensa comentários.


Sobre treinadores, Mano não foi um erro na partida, eu também o traria, mas não deu liga com o elenco e perdemos um bom tempo com ele no comando.  Dado assumiu e vem fazendo um trabalho interessante, talvez tenha contado com a mesma sorte de Guto na semi da CNE 2017, mas o certo é que o esquema montado para as duas últimas partidas, um 5-3-2 variando para 5-4-1 defensivamente funcionou perfeitamente.


Por fim, não sei se por mérito ou por necessidade, começamos ver a molecada dos times da base ser aproveitada no profissional. Édson, Ramon, Fessin, Alesson, Matheus Bahia, Thiago e Patrick de Lucca subiram e mostraram que este pode ser o caminho a ser trilhado no futuro. Não estou dizendo com isto que todos deram conta do recado, muito pelo contrário, alguns protagonizaram lances bizarros e fizeram péssimas partidas, mas vontade nunca faltou nos moleques e sem dúvida, mesmo com todas as deficiências técnicas, buscaram honrar o manto. Não é todo dia que vai subir um Patrick de Lucca que em duas partidas no time de cima já tem atitude e postura de veterano. Aproveitar base é sobretudo ter paciência com a.molecada, pois a oscilação vai ser constante.


O que esperar para 21 é uma grande incógnita. Ao mesmo tempo que meu lado torcedor me força a pensar que o Bahia vai crescer e ter um desempenho satisfatório em todos os campeonatos, a realidade insiste em me mostrar que 21 talvez seja mais duro do que 20, vamos e precisamos, não só por grana, mas também pelo ambiente interno, se desfazer de alguns dos principais jogadores do elenco, o que demanda reposição e tempo para encaixar o time. A situação financeira do clube com a perda significativa de sócios e sem grana da Arena vai nos forçar a contratar reforços mais modestos, o que aumenta ainda mais a pressão sobre a diretoria que terá de ser mais precisa do que em 20. Por fim, que a grana da venda de jogadores sirva para pagar as parcelas negociadas com jogadores e funcionários e que Senhor do Bonfim ilumine nossos caminhos.


Do meu lado, continuarei torcendo sempre e espero lançar um livro para homenagear os heróis que fizeram da década de 80 uma das mais importantes da nossa história.


Valeu, Papá

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prezados leitores, todos os comentários são bem vindos e enriquecerão as discussões. Entretanto, solicito moderação, evitando termos agressivos e acusações sobre jogadores, comissão técnica e direção do Esquadrão.
Solicito também respeito aos demais leitores, não sendo permitido postar xingamentos.
Os comentários que não atenderem as recomendações acima não serão aprovados.