Marca SóBahêa

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quarta-feira, 26 de maio de 2021

É chão, viu menino!!!

Meu amor e o pouco que conheço de futebol devo a meu pai, ele que me levava ao Lomantão para ver os jogos do Conquista e Serrano; no tempo que morou no Ceará, o Castelão era nossa segunda casa; e não tem como esquecer que foi ele que me levou na Fonte no histórico 5x0 sobre o Santa Cruz, quando floresceu de vez esta paixão que nutro pelo Bahia. Infelizmente, ele se foi no domingo 16/5, exatamente um mês antes de completar 76 anos. Perdi um amigo, um companheiro de estádio e um professor na vida e no futebol.


Quando eu voltava para Brasília de carro, ele, com toda sua experiência de motorista de ônibus interestadual, sempre me alertava "é chão, viu menino, é chão!!!!". Era a forma dele me dizer que o caminho era longo, que o primeiro km era tão importante quanto o último e que cada trecho da viagem teria de ser superado com muita paciência e cuidado, pois só assim chegaria em paz com minha família em casa.

Se eu pudesse dar um conselho à DE e à nossa comissão técnica seria exatamente este, o Brasileiro é chão, muito chão. A largada contra o Santos tem o mesmo peso e valor da chegada lá em dezembro. Cada triunfo conquistado, cada pontinho que se soma é como um km superado num longo percurso, são eles que farão a diferença entre o sucesso e o fracasso. Vejamos o exemplo da Sula, onde pequenos deslizes complicaram muito nossa situação.

Assim como o carro, o elenco precisa estar azeitado para enfrentar a maratona. Nada adianta um motor potente com pneus carecas, como não adianta ter um ataque efetivo quando se tem uma defesa que é uma peneira, nossa realidade no Brasileirão passado. O equilíbrio tem de ser a chave da equipe, um time compacto que defenda e ataque em bloco tem de ser a meta de Dado.

Por falar nele, confio bastante em nosso "motor", já deu provas que conhece nossa máquina e vai saber a hora de acelerar e a de pisar no freio para manter o rumo em segurança. Em outras palavras, em casa contra times de menor expressão, o time tem de ser ofensivo, jogar com marcação alta, toques velozes e muita, muita movimentação e intensidade na busca do triunfo. Fora, contra os times que lutam pela parte alta da tabela, é hora de montar um time mais fechado, com linhas defensivas bem montadas e que jogue no erro do adversário, ou seja, não abandonaria o 5-4-1 utilizado com muito sucesso na fase final do Brasileiro passado. 

Acho que nossa defesa ainda precisa de reforços, principalmente para suprir a ausência dos titulares. Mas, minha maior preocupação é nosso meio, em especial nos dois responsáveis por levar a bola até o ataque. Entendo que Daniel vem dando conta do recado, mas esteve sobrecarregado nos últimos jogos, nos quais Thaciano deu uma desaparecida braba, aparecendo apenas em lances esporádicos. Meias que defendem e atacam com a mesma eficiência é o que tem feito a diferença no futebol atual, pois bem, não vejo em nosso banco reservas para os dois titulares, e como já disse, o Brasileiro é chão, aqui entra o papel da DE, é preciso reforçar o elenco.



Por fim, nosso ataque, Rodriguinho é outro que não tem reserva, jogar entre as linhas como ele vem atuando é para poucos, o espaço é curto e a marcação cerrada, o que requer velocidade de raciocínio e precisão na execução, sem ele, passamos novamente para o 4-3-3 com dois jogadores abertos pelos lados, o que não vem dando certo há um bom tempo.

Em suma, nossos 11 iniciais formam um time confiável, mas faltam peças de reposição, não tem como pegar uma estrada tão longa sem um estepe calibrado.

Como diria meu agora saudoso pai "rapadura é doce, mas não é mole não", assim também é a série A, prazerosa em se disputar, mas dura com quem se atreve.

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