Marca SóBahêa

Marca SóBahêa

sexta-feira, 6 de agosto de 2021

Davi ou Golias?

Acho desnecessário detalhar a famosa histórica bíblica, na qual o pequenino David derrotou o temido gigante Golias numa batalha, para tanto usou apenas uma funda, uma espécie de badoque da época, o que mostra que nem sempre o tamanho é o mais importante numa disputa. Pois bem, desde que me entendo por gente, e isto já vai um bom tempo, vejo um intenso debate na galera tricolor sobre o real tamanho do Bahia, somos um gigante, um mero time médio, ou um pequeno que não assusta ninguém. Arrisco a dizer que somos tudo isto, bastando mudar o referencial que se usa, simples assim. Sem me prender a dirigentes ou épocas, este texto traz um histórico do Bahia em diversas competições e objetiva trazer subsídios para o supracitado debate que se intensificou bastante após a vexaminosa goleada para o Flamengo.

Vamos começar vendo o desempenho em nossa casa. O gráfico mostra que desde sua criação, mesmo nos nossos piores momentos, fomos frequentadores assíduos nas finais do Baiano, na maioria das décadas, chegamos pelo menos 7 vezes entre os dois primeiros colocados do campeonato. Se este for o referencial, afirmo sem medo de errar que o Bahia é um GIGANTE, ninguém chega perto do Esquadrão em sua casa.

Agora, vamos estender um pouco mais o território. Vamos ver nosso desempenho na Copa do Nordeste. O gráfico traz a comparação entre Bahia, Vitória e Sport, quando menor a barra, melhor a colocação, achei desnecessário colocar os emergentes cearenses na comparação, pois só na década atual eles chegaram com força na disputa. Bahia e Rival dividem a primeira colocação no número de títulos, 4 para cada, o Sport tem 3. Nossa vantagem começa a aparecer no número de finais, são 8 nossas, contra 7 do Rival e 5 do Sport. Se pegarmos semifinais, nossa vantagem aumenta ainda mais. Se pegarmos a última década, o Bahia é senhor absoluto do NE, igual em títulos com o Ceará, 2 para cada, mas somos mais frequentes em finais e semis. Em suma, se este for o referencial, o Bahia é um time GRANDE, não por acaso, reconhecido nacionalmente como o MAIOR DO NORDESTE.


Vamos avançar para o cenário nacional. Como todos sabemos, somos os primeiros campeões nacionais, e na primeira metade da década de 60, quando o sistema de disputa era regionalizada, chegamos em mais duas finais do nacional da época, a famosa Taça Brasil. O gráfico se concentra no campeonato brasileiro iniciado em 1971, as colunas trazem a quantidade time no nacional, e a linha a colocação do Bahia, quanto mais próximo a linha estiver do eixo, melhor nossa colocação, à medida que se aproxima do topo da coluna, piora nossa colocação. Antes de entrar em detalhes e explicações, o gráfico mostra que historicamente o Bahia tende a ficar na zona intermediária da tabela.


Vou destacar duas décadas, aquelas que o Bahia contou com times históricos. Iniciando com os anos 70, quando ganhamos 8 de 10 títulos baianos, com um heptacampeonato, sem dizer que contávamos com uma constelação de estrelas como Douglas, Baiaco, Beijoca e Sapatão, sempre bem acompanhados por excelentes jogadores como Leguelé, Jorge Campos, Jésum, Fito, Thirson, Zé Augusto, dentre outros. Nesta década, na qual valia a máxima, onde a Arena vai mal, um time no nacional, o Brasileiro chegou a ter 94 times em 79, o Tricolor só ficou entre os 10 primeiros duas vezes, em 76 e 78, na maioria dos campeonatos, d=ficamos entre o décimo e o vigésimo lugar, no pior ano, 79, ficamos em 50º. Apesar do Bahia ter um bom time, os times do eixo S e SE eram muito mais fortes, na década de 70, o mercado europeu estava fechado em alguns países e quase parados em outros, com isto, todos os grandes craques brasileiros jogavam aqui, o Bahia tinha Douglas, um dos maiores da nossa história, para muito o maior, mas o Flamengo tinha Zico; o Esquadrão tinha Beijoca, o Vasco, Dinamite; o Bahia tinha Baiaco, o Inter, Falcão. Craques memoráveis e sempre acompanhados de outros monstros do nosso futebol como Cláudio Adão, Mário Sérgio, Zé Mário e outros.

Aí veio a década de 80, sem dúvida a nossa melhor, escrevi um livro sobre ela e espero publicar em breve. O Bahia ficou 3 vezes entre os 10 primeiros, 86, 88 e 90, sem dizer que em 85, fomos o melhor time da primeira fase que reunia os 20 maiores do Brasil à época. De quebra, fomos criadores do Clube dos 13. Contamos com craques excepcionais em praticamente todos os brasileiros, Gilson Gênio, Léo Oliveira, Osni, Leandro, Bobô, Adão, Zanata, Zé Carlos, Charles, e Paulo Rodrigues, para mim o maior deles. Mesmo assim, só nos destacamos na segunda metade da década, quando um aquecido mercado europeu desfalcava sem dó os times do eixo.

Se considerarmos a Copa do Brasil, a situação piora um pouco em relação ao Brasileiro, o gráfico mostra que nossa melhor colocação foi um 5º lugar, recentemente conquistado, ou seja, nunca atingimos a fase semifinal.


Com relação ao poderio econômico do clube, fiz um levantamento de 2010 para cá, e nossa melhor posição, considerando a arrecadação anual, foi o 12º lugar no último ano. Antes de 2010, o Bahia não estava nem entre os 20 times que mais arrecada no Brasil, década difícil na qual estacionamos nas divisões inferiores do Brasileiro. Com relação ao valor arrecadado, nosso melhor ano foi 2019, no qual arrecadamos mais de R$ 180 milhões, nos demais anos, não arrecadamos um Vinícius Júnior ou Rodrygo.


Sobre a torcida, são poucas e espaçadas informações, e depende muito da metodologia da pesquisa, o gráfico mostra que a Nação Tricolor costuma variar entre o 12º e o 13º lugar no país, a notícia boa é que estamos numa crescente, saindo de 1,1 milhão de torcedores para 1,8.


Diante dos dados apresentados, não tenho dúvida de afirmar que no cenário nacional o Bahia é um time MÉDIO, o que não impede, a década de 80 mostra isto, que voos mais altos possam ser realizados, temos condições sim de aproveitar a queda de parte dos times do eixo S – SE para brigar por algo maior no campeonato.

Vamos para a América do Sul. Foram apenas duas libertadores, na que fomos melhor, paramos nas quartas, em 89. Nos tornamos na década atual um frequentador contumaz da Sul-Americana, mas também não conseguimos ainda alcançar as semis, em suma, na B continental, ainda não mostramos nossa força para assustar os adversários. É triste escrever isto, mas no cenário continental, somos um time PEQUENO.


Para encerrar, as classificações de GIGANTE, GRANDE, MÉDIO e PEQUENO descritas no texto servem apenas para eu criar as minhas expectativas quando o Bahia entra numa disputa, pois no meu coração de torcedor apaixonado, o BAHÊA sempre foi, é e será um colosso, um time glorioso que me enche de orgulho, no dia que pensar diferente, vou assistir badminton.

É isto, reflitam e tirem suas conclusões.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Prezados leitores, todos os comentários são bem vindos e enriquecerão as discussões. Entretanto, solicito moderação, evitando termos agressivos e acusações sobre jogadores, comissão técnica e direção do Esquadrão.
Solicito também respeito aos demais leitores, não sendo permitido postar xingamentos.
Os comentários que não atenderem as recomendações acima não serão aprovados.