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terça-feira, 17 de agosto de 2021

Toda casa da mãe Joana precisa de um bode expiatório (2)

Em junho de 2016, escrevi o post “Toda casa da mãe Joana precisa de um bode expiatório” (http://www.sobahea.net/2016/06/toda-casa-da-mae-joana-precisa-de-um.html), no qual eu analisava a situação do Bahia a partir de duas expressões populares. Pois bem, não que eu acho que Dado ainda reúna condições de ser nosso treinador, entendo ser acertada a sua saída, mas engana-se quem acha que sua saída resolverá todos os problemas do Bahia. Assim, resolvi apenas fazer uma atualização do texto de 2016 para analisar esta saída de Dado.

Quem nunca ouviu ou usou as expressões "testa de ferro", "tirar o cavalinho da chuva", "o pão que o diabo amassou", "a cobra vai fumar", "com a boca na botija", ou "falar pelos cotovelos"? São expressões largamente usadas no dia-a-dia por toda a população mesmo sem saber seu verdadeiro significado ou origem, mas sempre estamos recorrendo às mesmas para definir situações corriqueiras.

É justamente neste ponto que entra o Bahia, infelizmente, crise e resultados ruins passaram a ser situações corriqueiras para o tricolor. Por isto, para refletir sobre o atual cenário do Bahia recorrerei a duas expressões largamente usadas no nosso cotidiano, "bode expiatório" e "casa de mãe Joana".

De acordo com o site significados.com.br:

A expressão "bode expiatório" teve sua origem no dia da expiação, como relata a Bíblia, no livro de Levítico. O dia da expiação, era um ritual para purificação de toda nação de Israel. Para a cerimônia, eram levados dois bodes, onde um deles era sacrificado e o outro, o bode expiatório, era tocado na cabeça, pelo sacerdote, que confessava todos os pecados dos israelitas e, os enviava para o deserto, onde todos os pecados eram aniquilados.  Resumidamente, o bode expiatório é aquele sobre o qual recai todas as culpas pelo fracasso e insucesso de uma coletividade.

Ano passado, nosso bode foi Roger Machado, a quem a torcida atribuía todas as culpas e mazelas pelo fraco desempenho do Bahia na Série A, com sua saída parecia que tudo ia mudar, aqui mesmo no blog por várias vezes pedi sua cabeça. Ele saiu, Mano assumiu, demos um suspiro, mas fracassamos na Sula e como todos sabem alcançamos nosso recorde de derrotas seguidas na A, Dado assumiu e nos salvou da B. No final da Série A, nosso Presida falou e disse que naquele momento começava o trabalho visando o ano de 2021.

O tempo passou, diretores foram trocados, saiu uma penca e chegou mais de uma dúzia de atletas, entretanto as coisas no departamento de futebol mudaram pouco, ganhamos a Lampions no primeiro semestre, mas na A e Sula nosso time escancarou toda sua fragilidade. O que aconteceu? Arranjamos outro bode, desta vez Dado, o Fraco, para muitos o técnico que não tinha alternativas de jogo, substituía errado, não dava padrão de jogo ao time e não conseguia extrair o melhor de cada atleta. Concordo com várias destas críticas, e acho que Dado perdeu todo o apoio da Nação e principalmente a liga com o elenco, sendo incapaz de tirar mais dos atletas e apresentar um futebol melhor, por isto não achei errada sua saída.

Mas, entendo que o buraco é mais embaixo, nosso elenco apresenta carências drásticas, algumas contratações não corresponderam e devemos continuar a sofrer um tempo. Assim, como a história bíblica, não adianta jogar o bode no relento para que todos os pecados sumam, algo tem de ser feito por cada um para que as coisas mudem e aconteçam como planejado.


Aqui entra a segunda expressão "casa de mãe Joana".

A expressão "casa da mãe Joana" teve origem no século XIV, segundo Câmara Cascudo, foi criada graças a Joana I, rainha de Nápoles e condessa de Provença, que viveu entre 1326 e 1382. Teve uma vida conturbada e em 1346 mudou de residência para Avignon, na França. Em 1347, quando tinha 21 anos, Joana normatizou os bordéis da cidade onde vivia refugiada, criou certas regras para impedir que alguns frequentadores agredissem as prostitutas e saíssem sem pagar. Para as meretrizes, Joana era como uma mãe e por isso os bordéis eram conhecidos como "casa da mãe Joana". Atualmente, a expressão casa da mãe Joana é usada para o local onde cada pessoa faz o que bem entende, sem respeitar nenhum tipo de normas.

Pois é assim que, de longe, vejo há muito tempo o departamento de futebol no Bahia. Como visto na definição, mãe Joana impunha regra e respeito nos seus ambientes. No Bahia, aparentemente, não temos esta figura, não consigo enxergar uma voz de comando, uma figura respeitada e ouvida pelos jogadores, ou um profissional com vivência e experiência no futebol que controle o cotidiano do elenco. Só esta total falta de autoridade explica a disposição, ou melhor, a falta dela, que o time entra em campo, além do conformismo nas derrotas, como se a obrigação fosse só entrar em campo.

Enfim, se não botarmos ordem na nossa casa da mãe Joana, traremos não um treinador, mas sim um bode expiatório ganhando uns R$ 450 mil/mês para fazer este papel.

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