Marca SóBahêa

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domingo, 19 de setembro de 2021

Grande jogo, mas péssimo resultado

 Bahia e Bragantino são responsáveis por dois dos jogos mais emocionantes que já assisti, ambos vencidos pelo Tricolor por 3x2. Em 1990, a torcida tricolor foi fundamental para o triunfo e passagem para a semi do brasileiro, nunca vi a torcida tão vibrante na Fonte como naquele jogo. Eles saíram na frente, mas a torcida, Jorginho e Charles trataram de virar o placar, eles empataram, e na parte final do jogo, Wagner Basílio decretou os 3x3. O Outro foi em 2016, o tricolor abriu 2x0, com um gol antológico de Luís Antônio, o Braga não desistiu e buscou o empate, no final da partida, Cajá marcou 3x2 e levou a galera na Fonte no Paraíso do Dendê, em Brasília, à loucura.

O jogo de ontem não teve tanta alternância no placar ou foi tão emocionante como os citados, mas foi um grande jogo, digno da série A, o resultado final é que foi uma merda e não afastou o Bahia da zona de rebaixamento. Dabove mais uma vez mostrou que não é um jogo acomodado, alterou novamente os 11 iniciais e a forma de jogar da equipe, não está claro ainda para mim se ele ainda está na busca do time ideal, ou se vai sempre adaptar o Bahia ao adversário.

Ele retornou com Daniel, sacando Giba do time. Com isto, o Bahia passou a atuar num 4-5-1 sem a bola, e num 4-3-3 com ela. Mesmo com a alteração no esquema, algumas características foram mantidas. Defensivamente, jogamos com 3 linhas bem compactas, verdade que a linha mais avançada formada somente por Rodallega foi um ponto fraco, pois era facilmente ultrapassada pelos adversários, o que forçava alguém da segunda linha avançar. Mesmo assim, as linhas de quatro e cinco estavam bem compactadas, com isto o Braga passou a abusar de lançamentos profundos nas constas de Nino e Capixaba e em viradas de bola também nas costas dos nossos laterais, assim eles criaram a melhor chance do primeiro tempo, numa bola que bateu no travessão após bela defesa de Claus. Com os lançamentos do Braga, nossa linha de quatro recuou mais e eles começaram a achar espaço entre nossas linhas para trocar passes, criando mais uma bela oportunidade, também salva por Claus.

Ofensivamente, mesmo com a volta de Daniel e com três no meio, o Bahia abusou da ligação direta em direção à Rodallega. Não gosto deste estilo de jogo, mas reconheço que dá resultado, assim o Bahia de Márcio Araújo subiu em 2010, com Jael fazendo o papel de pivô; o Palmeiras de Felipão foi campeão brasileiro em 2018; e a Noruega se classificou para a Copa de 98, inclusive ganhou do Brasil na fase de grupos, com o gigante Flo fazendo o papel de pivô. Ontem, o Bahia demorou a começar a ganhar a primeira bola, aquela no alto, quando ganhava não conseguia ficar com a segunda bola ou errava o passe, só fomos completar o ciclo de forma efetiva no final da primeira etapa, quando criamos duas belas oportunidades com Mugni e Oscar Ruiz. Por sinal, pela primeira vez gostei de Ruiz numa partida, não se escondeu, buscou o jogo, fez boa parceria no Nino pela direita, e concluiu duas vezes à gol com relativo perigo, mas ainda falta a ele a confiança que transborda em Rodallega. Para fechar o trio de atacante, não gostei de Isnaldo na parte ofensiva, foi útil na defensiva, mas nada criou com a bola.

Na etapa final, o Bahia conseguiu por a bola um pouco mais no chão e trocou alguns passes, mas continuou usando a ligação direta como nossa principal arma. Nosso gol foi uma bela jogada ensaiada, como Mugni cobra o escanteio com o pé trocado e normalmente fechada no primeiro pau, a atenção da defesa deles estava toda ali, mas Nino foi esperto e colocou na segundo pau encontrando Rodallega livre, aí meu amigo, com a confiança lá em cima, o cara marcou um golaço num misto do voleio consagrado por Bebeto e bicicleta.



Era nosso melhor momento no jogo, o adversário sentia nosso gol e o Bahia estava bem posicionado em campo, mas acabamos sendo feridos com o veneno que usamos em dois lances claros de gol, o do primeiro tempo quando Rodallega ajeitou e Mugni bateu em cima da zaga, e no segundo com Luís Otávio desviando e Ruiz cabeceando no contrapé do goleiro que fez uma bela defesa. Foi mais um gol com bola alta nas costas de Nino, problema que nos atormenta desde a chegada de nosso capitão.

Depois do gol deles, Dabove voltou a armar o time no 4-2-4 com a bola e 4-4-2 sem, com as entradas de Maicon Douglas, Luisão, jogando bem aberto pela direita, mas não me parece ter velocidade e habilidade para desempenhar este papel, e Gilberto. Dos três que entraram, Maicon Douglas foi o que melhor aproveitou a oportunidade, fez muito mais ofensivamente do que o apagado Isnaldo. As entradas de Rodriguinho e Édson foram as famosas trocas de 6 por ½ dúzia que não mexeram na forma do time jogar.

Finalizando, gostei muito do jogo e do Bahia, que mesmo não sendo meu estilo de jogo preferido, tem uma forma de jogar que pode entregar resultados e incomodar muito time no Brasileiro, uma vez que nossos times costumam se engasgar com o estilo argentino de jogo. Porém, reitero que o resultado foi muito ruim e precisamos começar a ganhar para se afastar da zona o mais rápido possível.

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