Marca SóBahêa

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quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Sem liga

Quando vi a escalação do Bahia sem Isnaldo e Oscar Ruíz, e com o quarteto Lucas Araújo, Patrick, Daniel e Mugni, pensei que Dabove tinha resolvido mexer no esquema de jogo do time, tentando valorizar mais a posse de bola e dando mais volume de jogo, meu engano aumentou ainda mais quando no primeiro minuto de jogo, o Bahia chegou tocando até a área corintiana. Mas, bastou o jogo se assentar que percebi que trocaram-se os nomes e as características dos jogadores, mas o esquema era o mesmo. Na prática, foram 3 alterações, Daniel foi fazer a de Ruíz, Mugni a de Isnaldo, e Patrick veio para a de Mugni.

Decididamente, falo isto aqui há um tempo, o time de Dabove não quer ficar com a bola, mais uma vez ontem foi um festival de ligação direta, boa parte interceptada pelo time adversário antes mesmo do meio-campo, na lógica de Dabove, a bola tem que ir ao jogador e não o contrário, sendo esta uma das estratégias do chamado jogo posicional, de acordo com o blog unisportbrasil. E quando temos a bola, ela parece queimar o pé dos nossos jogadores que querem se livrar dela o mais rápido possível, piorando ainda mais nossa estatística de passes errados.

Para comprovar isto, vou pegar como exemplo Daniel, quando vi sua escalação, pensei de cara que voltaríamos a ter um cara que roda por todo o campo, se aproximando dos companheiros e facilitando a troca de passe, mas o que se viu ontem, foi um Daniel quase estático pelo lado direito de campo, se movimentando basicamente no sentido vertical e sem buscar a bola lá atrás ou se aproximar de Mugni para tentar a jogada. Vejam a imagem com os mapas de calor de Daniel contra o Palmeiras e Corinthians, fonte footstats, é evidente que na primeira partida ele se movimenta muito mais pelo campo, já ontem, o mapa mostra um Daniel fixo pela direita, movimentação muito parecida com a de Ruiz contra o Inter.


Outro exemplo que serve para mostrar é Patrick, o ponto mais forte dele é sair com a bola lá de trás, como se fosse um terceiro zagueiro, ontem, ele se limitava a esperar a bola na intermediária defensiva esquerda, mas ela nunca chegava, pois nossos zagueiros se limitavam a tentar a ligação direta.

Em suma, o Bahia é um time de totó que ao invés de se mexer para os lados, se mexe para a frente e para trás, mas sem nenhuma preocupação de se aproximar do colega quando temos a bola. Um time de botão se movimenta mais e entra mais ligado em campo do que o Bahia quando tem a bola.

Este é o esquema de Dabove, mas esta não é a característica do nosso elenco, por isto este descasamento tão grande entre o que é pensado pelo técnico e o que é executado em campo. Só mais um exemplo deste descasamento, também já apontada aqui, se quer fazer ligação direta, Gilberto não pode ser o cara lá da frente, ele se posiciona e sobe mal para ser o responsável pela primeira bola, talvez ciente disto, Dabove tenha escolhido Tonny Anderson como parceiro de Giba ontem, mas como visto não eu certo.

Por outro lado, reconheço que apesar de continuar tomando um caminhão de gols, o esquema de Dabove funciona bem defensivamente, isto até ser vazado, pois depois vira uma peneira. Nas derrotas para Inter e Corinthians, Claus praticamente não foi exigido na primeira etapa. Com as três linhas defensivas atuando próximas, nossa defesa tem dobrado bem sobre os atacantes adversários, basta ver que os velozes Thaysson e Willian e o perigoso Roger Guedes nada criaram.

É inadmissível os gols que o Bahia vem tomando, boa parte deles em bolas paradas ou em falhas individuais. Não vou crucificar os caras, mas o pênalti cometido por Lucas Aráujo foi de uma infantilidade bestial, mas pior do que ele foi Capixaba naquela falta ridícula na lateral da área, quando o lance já estava morto, e Claus que soltou um peteleco no pé de Jô.

Por fim, apesar dos péssimos resultados, o que mais me preocupa é o péssimo desempenho do time, definitivamente nosso elenco não deu liga com o esquema de Dabove, nas últimas partidas os arqueiros adversários foram meros espectadores dentro do campo, contamos nos dedos de uma só mão a quantidade de defesas feitas por Daniel do Inter e Cássio ontem. Para piorar tudo, a infeliz declaração de Gilberto no intervalo mostra que o clima interno é péssimo, a princípio parecia que o recado dele era para Lucas Araújo, mas ouvindo melhor, ele critica todo o elenco por reivindicar e reclamar o que é de seu direito, receber salários. Já fiz texto elogiando Giba e continuo achando-o  uma referência técnica no elenco, mas antes de falar do lance infantil de Lucas Araújo, ele poderia lembrar da quantidade de gols e pênaltis que ele perdeu e impediu resultados positivos para a equipe. É o velho ditado, roupa suja se lava em casa.

Como sempre afirmo aqui, sou otimista e ainda vejo uma luz no fim do túnel, mas está cada vez mais opaca.

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