Marca SóBahêa

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sexta-feira, 12 de novembro de 2021

Juiz 1 x 0 Futebol

Gostaria muito de estar escrevendo sobre o duelo entre a revigorada defesa do Bahia e o poderoso ataque do adversário; dos duelos individuais entre os velozes Nino x Michael, antes criticados e agora ovacionados pelas exigentes torcidas, e entre Gilberto x David Luiz, artilheiro da A contra um zagueiro de expressiva carreira na Europa e Seleção Brasileira; ou do da prova de fogo para Édson, entrando como titular num palco de duas finais de mundial. Mas, tudo isto ficou em segundo plano após os 30 minutos do primeiro tempo, quando o árbitro da partida chamou para si todos os holofotes daquilo que seria um espetáculo de futebol.

Há muito tempo o Bahia não chegava no Maracanã em condições de fazer um jogo equilibrado contra o poderoso rival, não só pelo nosso bom momento, sete jogos sem derrotas e com apenas um gol tomado, mas também pela situação claudicante deles e da pressão que isto acarreta. Claro que eles ainda continuavam com amplo favoritismo, pois possuem um elenco forte e muito acima do nosso, mas futebol não é só nomes, é sobretudo conjunto, e, indiscutivelmente, o nosso está em um melhor momento.

Passei o dia preocupado com as bolas aéreas para BH nas costas de Nino ou com as arrancadas em velocidade de Michael, sabia que os dois poderiam nos trazer problemas, até porque possuem bom histórico contra nós. Por outro lado, a esperança no bom entrosamento da nossa zaga; da movimentação e do volume de jogo do nosso meio; e, principalmente, da fase esplendorosa de Giba, me faziam acredita que o Bahia poderia sair com o triunfo.



Porém, o que me deixava com a pulga atrás da orelha desde segunda-feira era a arbitragem, era evidente que alguém teria de pagar o pato pelos erros que o juiz cometeu a favor da Chape na partida que fechou a rodada passada. A pressão dos dirigentes e, sobretudo, da imprensa do eixo mostrava que aquilo não ficaria de graça. E como vimos, não ficou.

Não tem como comparar os erros cometidos contra o Bahia nas partidas do Juventude e São Paulo com o de ontem, os pênaltis não marcados a nosso favor foram lances que cabia a interpretação, o de ontem não, era sim ou não, bateu ou não no braço? Bateu ou não no ombro? Bateu ou não no peito? A todas estas perguntas só cabem duas respostas excludentes entre si, sim ou não, não cabe talvez, não cabe interpretar. O que aconteceu no outrora maior estádio do mundo foi uma das maiores garfadas da história do futebol. Claro que tenho todo um viés a favor do Bahia, mas o constrangimento da equipe do Premiere que narrava a partida, todos com forte viés a favor do adversário, mostra como foi absurda a decisão do assoprador de apito.



Para muitos, futebol é negócio, profissão ou uma forma de ganhar grana com apostas, mas para a maioria, futebol é amor, paixão e sobretudo diversão, sentimentos que não convivem bem com injustiças e roubos que insiste em minar a única alegria de boa parte da nossa sofrida população. Não tenho a menor esperança que o que aconteceu ontem vai mudar o futebol nacional, o beneficiado de ontem tem longo histórico de favores dos assopradores de apito, até passei o olho nos grupos do zap e vi muita manchete com indignação da mídia do eixo, o que no máximo levará à demissão de Gaciba para estancar a crise, mas tenho muita esperança e clamo que este evento una a nação Tricolor, vamos esquecer nossas diferenças internas, vamos deixar de lado que tal jogador é fraco, é hora de união, é hora de mostrar que somos mais fortes do aqueles que querem nos derrotar, é hora de lotar a fonte e vibrar junto com os jogadores em campo, em suma, é hora de mostrar que somos Bahêa, um clube que nasceu para vencer.

A diretoria tem de protestar e muito, tem de pôr a boca no trombone em todos os veículos que abrirem suas portas, mas tem de ser esperta e proteger o grupo, pois comissão técnica e jogadores precisam estar focados e sobretudo ligados no jogo jogado, deixando de lado as artimanhas dos assopradores de apito.

Quem me conhece, dos funcionários do meu condomínio, a meu chefe, passando por familiares e amigos, sabe do meu amor pelo futebol e da minha paixão pelo Bahia, chego a ser chato, pois final de semana, estou sempre com a camisa do clube, e em qualquer situação que tenha brecha coloco futebol e Bahêa nas conversas. Mas, ontem, depois de décadas vendo futebol quase que diariamente, abandonei uma partida do Bahêa antes do fim, pouco me importava que o placar estava 1, 2 ou 3 x 0 contra meu time, o que me deixava furioso, irritado, com lágrimas nos olhos e com muita vergonha era a morte do futebol para beneficiar um clube que não precisa disto, pois é muito superior ao seu adversário.

É isto, o Bahia foi derrotado, mas quem perdeu foi o futebol.

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