Marca SóBahêa

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sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Triste Bahia, oh quão decepcionante

O título deste post é inspirado na canção Triste Bahia de Caetano Veloso, canção que tem em sua letra trechos retirados de soneto de Gregório de Matos, outro baiano histórico e genial. Nem estes dois gênios da cultura baiana seriam capazes de escrever o roteiro de uma partida que fosse tão fiel à campanha do Bahia na Série A 2021. Assim como em nossa campanha, fomos capazes de fazer um jogo equilibrado, de dominar um time superior, de empolgar e iludir a torcida, e de fazer gols em uma defesa forte e bem postada. Porém, no mesmo jogo mostramos toda nossa fragilidade emocional, nossa incapacidade de segurar um resultado, de fazer aquela cera básica, de matar o jogo, de parar o lance na hora certa, e de reagir quando o placar está adverso. Fomos assim nas 36 rodadas anteriores e o jogo contra o Galo foi uma síntese fiel da nossa malfadada campanha.

Guto foi ousado, começou o jogo com um único volante de origem e num 4-2-3-1 bem estruturado. O primeiro tempo foi bastante equilibrado com as duas defesas predominando sobre os ataques, aproveitamos bem a ausência de Alan e Jair no time adversário e evitamos a tradicional blitz que eles fazem no campo de ataque. Mesmo assim, a melhor chance foi deles numa falha de Matheus Bahia, mas Danilo Fernandes fez uma bela defesa. O Bahia criou pouco, porém incomodou a defesa adversária e deu esperança ao seu torcedor que poderia vencer na etapa final.

Como só o triunfo interessava aos dois lados, os dois times voltaram mais agudos na segunda etapa, com o Bahia criando as melhores chances, só Raí teve duas claras, na primeira, ganhou a bola do zagueiro e partiu livre para dentro da área, mas faltou velocidade, malícia e qualidade técnica, cruzou a bola fraca para Rossi e Arana chegou cortando; na segunda, recebeu de Gilberto livre na entrada da área e bateu fraco nas mãos do goleiro, tanta diferença das duas belas conclusões de Keno, da mesma posição, que selaram nosso caixão mais tarde.

De tanto chegar, o Bahia saiu na frente com uma bela cabeçada de Luís Otáviio que voltava ao time. No bar, fomos unânimes, o Bahia tem de manter a pegada e não pode recuar demais. E o Bahia fez o que esperávamos, se manteve ligado no jogo, indo a frente e atento atrás, sendo premiado pela sua ousadia, Patrick e Rodriguinho lutaram por uma bola na intermediária e a mesma sobrou para Matheus Bahia que deu uma assistência para Gilberto. Cabe aqui destacar a movimentação de Gilberto, quando MB recebeu a bola, Giba estava uns 6 metros atrás do zagueiro, apontou onde queria a bola para MB e se antecipou ao zagueiro marcando um belo gol.

Festa da porra na Fonte e no Skina onde assistíamos o jogo, não dava para acreditar que o Bahia ganhava do poderoso Galo de Hulk, mas acho que esta sensação de descrédito passou também para os atleta dentro de campo, os caras simplesmente pararam em campo, as pernas passaram a pesar uns 100 kg cada e o Galo passou a dominar a partida, empurrando o Bahia para trás. Aí veio o pênalti, nem vou entrar no mérito se foi ou não, minha dúvida é se o mesmo seria marcado do outro lado, Hulk, o craque do campeonato, bateu e diminuiu.

Na sequência, pois foram só 5 minutos até a virada, a defesa tricolor cometeu duas vezes o mesmo erro, se afundou dentro da grande área, os volantes não se posicionaram na entrada dela, e Keno recebeu duas vezes livres e mostrou para Raí como se conclui a gol.

Chama bastante atenção a postura dos dois times quando estavam à frente do marcador, o Bahia deixou o jogo seguir seu rumo normal, foi incapaz de quebrar o ritmo da partida, e Guto nada fez para reforçar a marcação depois dos 2x1. Já o Galo, catimbou, fez falta atrás de falta para parar o jogo, Cuca colocou o terceiro zagueiro, em suma, a velha expressão cozinhar o Galo não vingou, o Bahia é que foi cozinhado por ele. Não teve mais jogo depois da virada deles, antijogo faz parte e precisa ser usado na hora certa, faltou malícia e sobrou ingenuidade ao “experiente” time tricolor. Mais uma vez, a euforia do torcedor tricolor passou a frustração, o que seria um triunfo inesperado e magnífico, passou a ser um vexame histórico que por muito tempo ficará na nossa cabeça.



Restam dois jogos, temos de ganhar ambos e torcer por tropeços dos concorrentes, situação complicada, mas merecida pelos erros que cometemos durante todo o campeonato. Me lembro que no primeiro texto que escrevi sobre a A 2021, usei como base a tradicional frase de meu pai que acabara de falecer, “é chão, viu menino, é chão”, e chamei atenção que cada partida seria como um km de uma longa viagem, três pontos na primeira rodada valem tanto como na última, mas o Bahia não soube evitar os buracos da estrada, degastou em demasia os freios e não repôs o combustível na hora certa, se cairmos, ainda resta a esperança, não será pela derrota de ontem, nada de anormal perder para o campeão, mas sim pelos 11 pontos que deixamos pelo caminho contra América/MG, Sport, Atlético/GO e Cuiabá em casa, pontos estes que nos colocariam em outra briga no campeonato.

Por fim, seria muito fácil neste momento de frustração, sair xingando todos que estão no clube, apontando o dedo e indicando culpados, mas esta não é minha praia, prefiro tentar manter a razão e busca compreender porque entramos neste buraco para tentar ajudar na saída dele, é isto, BBMP sempre, nunca abandonarei.

Um comentário:

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